O Dacia Sandero mantém-se, de forma "discreta", como um verdadeiro campeão de vendas europeu na gama da construtora franco-romena.
Pois as mais recentes inovações de que foi alvo, e que não se resumem apenas à estética, deram-lhe o necessário impulso estratégico com a mesma fórmula vencedora que resume o fundamental num carro pelo melhor preço.
É sob o capô que está a principal evolução mecânica, patente no novo motor 1.2 Eco-G de 120 cv associado à caixa automática de seis relações com dupla embraiagem, também engrenáveis através dumas inéditas patilhas montadas na coluna da direcção.
O Aquela Máquina já ensaiou esta proposta bifuel a gasolina e GPL, na variante Stepway com o acabamento Extreme, e não poderia ter ficado mais satisfeito com as qualidades que este compacto exibiu na cidade e em estrada aberta.
Visual mais assertivo
Após uma actualização discreta há três anos, para exibir o novo logótipo da marca, o Sandero assumiu desta vez uma evolução mais significativa que esbate cada vez mais a ideia de estar-se perante um carro limitado nos acabamentos pelo preço pedido.
Em termos estéticos, "tudo" é novo à frente como se percebe na assinatura luminosa LED dada pelos faróis reconfigurados, sem esquecer a reformulação do pára-choques onde assenta a grelha "pixelizada".
Atrás são adoptados novos farolins LED, ligados por uma faixa preta fosca na versão Stepway, enquanto o pára-choques também foi redesenhado.
O espírito mais aventureiro é dado pela protecções em plástico Starkle nos arcos das rodas, parte inferior da carroçaria e molduras dos faróis de nevoeiro.
Interior bem acabado
Um rápido olhar ao interior deixa "descobrir" um novo volante, alinhado com o também novo selector de marchas E-Shifter da transmissão automática de seis relações que se estreia neste Sandero Stepway Eco-G 120.
Um novo sistema de infoentretenimento para o ecrã de dez polegadas com navegação conectada, um carregador de telemóveis por indução e um reestilizado painel de instrumentos com sete polegadas assinalam a evolução tecnológica a bordo.
De fácil leitura, é dada prioridade a informações simples mas muito úteis, como os indicadores de consumo para ambos os combustíveis, enquanto os controlos do ar condicionado e do volume do rádio permanecem físicos.
O interior da versão Extreme continua a destacar estofos TEP microcloud laváveis, a que se juntam os tapetes de borracha à frente, atrás e na bagageira com 328 litros, contando-se ainda o sistema YouClip para fixar acessórios em pontos-chave.
Ágil na cidade…
O Sandero Stepway Eco-G 120 assume sob o capô o novo motor turbo de 1.2 litros com 122 cv e 197 Nm, sendo uma estreia a combinação do GPL com uma caixa automática de dupla embraiagem e seis velocidades engrenáveis nas patilhas do volante.
Reforçado na potência e no binário, é obviamente lógico a maior rapidez com que se move, confirmados pelos 10 segundos que demora a cumprir os zero aos 100 km/hora.
Para lá destes números, no entanto, é a experiência de condução que realmente melhora graças a um motor suave mas muito responsivo para mover os 1.300 quilos que o compacto pesa.
E essa ideia confirma-se logo aos primeiros quilómetros em ambiente citadino, ao libertar o condutor das limitações duma transmissão manual; os mais puristas que fiquem descansados porque na gama continua essa "caixa à mão" com seis relações.
O ensaio decorre sem incidentes no percurso lisboeta, apesar dos solavancos sentidos a baixo ritmo em pisos mais deficientes, devido a uma suspensão que continua algo rígida mas sem afectar demasiado o conforto a bordo.
As relações curtas até à quinta velocidade dão-lhe uma inusitada agilidade para romper pelo meio do tráfego, com a sexta demasiado "longa" a quase nunca entrar em acção.
… e firme na auto-estrada…
É fora da cidade que se consegue tirar verdadeiro partido das suas qualidades: o comportamento é seguro e previsível em auto-estrada ou em vias secundárias à conta duma dianteira precisa, mesmo se a direcção pudesse ser mais equilibrada.
No percurso de média montanha em que foi testado, percebeu-se uma configuração mais firme da suspensão para travar a óbvia inclinação da carroçaria em curva, o que só valoriza o comportamento e a qualidade de condução oferecida.
Mais negativo é o motor fazer-se ouvir em demasia quando está em esforço, a que não é alheio o isolamento acústico menos bom do habitáculo, um "problema" que se contorna facilmente ao antecipar as trocas de marcha nas patilhas do volante.
Quem pensa que essa valência faz deste carro um desportivo, mais vale desanimá-lo de imediato porque nem é esse o seu propósito nem o chassis está preparado para cumprir esse desejo.
Notável foi a melhoria dos sistemas de segurança, como se confirma na travagem automática de emergência com detecção de peões, ciclistas e motociclistas, nos faróis com comutação automática de "máximos", e na câmara a 360 graus.
E depois é o rápido acesso às configurações de assistência ao condutor, que podem ser desactivadas com o simples toque num botão a elas dedicado, para depois permitir a sua fácil reconfiguração.
… com consumos "salutares"
Atente-se antes nos consumos controlados, principalmente à velocidade máxima permitida em auto-estrada, recheada de subidas com pendentes de sete a 10% durante vários quilómetros.
Nessas condições, e de acordo com o computador de bordo, a média ficou nuns frugais 5,5 litros/100 km quando se privilegiou a gasolina, e em redor dos 8 litros/100 km em modo GPL.
Claro que, para conseguir esses valores, foram necessários "truques" tão óbvios como privilegiar o GPL nas subidas, deixando a gasolina para os pisos planos, com toques ligeiros no acelerador para manter a velocidade nos 120 km/hora.
Com esse estratagema, a autonomia total anunciada pela marca, em redor dos 1.300 quilómetros com os dois combustíveis, é bem real; estando o GPL a menos de um euro por litro, será mais do que vantajoso usá-lo ao máximo para poupar a carteira.
O Dacia Sandero Eco-G 120, na versão Stepway com o acabamento topo de gama Extreme, continua a ter um posicionamento quase imbatível no seu segmento, mesmo se essa diferença competitiva comece a diluir-se de forma mais notória.
O exemplar ensaiado, com quase todos os opcionais incluídos, é proposto por 23.107 euros mas poderá sempre optar pelo mais económico acabamento Essential a partir de 16.300 euros com a caixa manual de seis relações.
A mesma solução motriz, mas agora no acabamento Expression que dá entrada à gama do Sandero convencional, começa nos 16.200 euros.
Texto: Pedro Rodrigues Santos
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